O mercado é um grande oceano…

Grandes empresas pelo mundo, como Apple, Google e o You Tube, já entenderam que o futuro do mercado está na coopetição e não mais na competição tradicional.

Este Deus, o Mercado, dividido por alguns teóricos em “Oceano Vermelho”  (altamente saturado e marcado por uma forte disputa de preços e padronização de produtos, que pouco diferem entre si, apesar das inúmeras marcas existentes) e “Oceanos Azuis” (caracterizado pela inovação e novas formas de obter vantagem competitiva, seja pelo lançamento de novas soluções para velhos problemas ou descoberta de novos problemas para vender soluções), está constantemente em mutação e em transição para uma nova fase, mais dinâmica e conectada com as necessidades e conhecimentos tecnológicos da sociedade vigente.

Essas mudanças nos modelos e teorias em negócios acontecem desde a primeira fase da Revolução Industrial, quando o trabalho manual e centralizado em um único indivíduo  cedeu espaços cada vez maiores para indústrias modernas e marcadas pela divisão de tarefas, tornando o trabalho em equipe a base do sucesso em qualquer empresa.

Agora que vivenciamos a 4º Fase da Revolução Industrial, com as máquinas configuradas com inteligência artificial levando a produção humana a caminhos antes imaginados somente em filmes de ficção, é necessário não apenas um novo jeito de fazer negócios, mas também de gerenciar equipes, desenvolver excelência e praticar responsabilidade em todos os níveis.

Dentro do contexto estimado pelos especialistas para o pós-pandemia global, que se mistura com os antigos problemas da humanidade,  como as questões urgentes envolvendo as mudanças nas condições climáticas planetárias, em grande parte provocadas pelo egoísmo e imprudência humana na exploração dos recursos dentro do sistema capitalista, surgem novas necessidades para empresas, empresários e colaboradores, em que mais que lidar com leis e condições de mercado cada vez mais exigentes para a prática de uma produção limpa, necessitam agora encantar clientes e parceiros comerciais mais proativos e conscientes de sua  pegada ecológica, além de seus deveres como agente responsável pelo mundo que está sendo construído para as novas gerações

Enquanto antigamente um cliente insatisfeito falava mal de um produto ou empresa para cerca de outras 10 pessoas, será cada vez mais comum a tendência de boicote massivo às marcas que não evoluírem em seu mindset produtivo, obrigando que empresas e empresários se reinventem para seguirem sustentáveis. É nesse contexto que grandes montadoras de carros pelo mundo estão encerrando sua produções de motores à combustão e focando em modelos elétricos, bem como todo um catálogo de soluções em  transportes alternativos têm surgido, como as bicicletas e patinetes elétricos, que estão se tornando cada vez mais comuns nas grandes cidades. Em médio prazo, promoverão não apenas o redesenho dos mapas e relações nos centros urbanos, mas criarão novos postos e formas de trabalhar.

Para alcançarmos a estabilidade dentro desse cenário caótico, marcado por mudanças forçadas e complexas, como ocorreu com a necessidade de adaptação emergencial das empresas para atuação em trabalho remoto, é preciso que os indivíduos em todos os níveis que compõem as empresas evoluam juntamente aos processos operacionais que executam.   Essa evolução precisa ser contínua e originar-se da vontade individual em evoluir um pouco todos os dias, não de imposições hierárquicas ou situacionais para tornar-se de fato sólida.

A Citrix previa ainda em 2012 que nos anos seguintes mais de 80% das empresas teria alguma célula operacional atuando em Workshifting, mas os empreendedores e gerentes ainda arriscavam lentamente a migração em razão dos custos e desafios exigidos para execução do modelo, amparados normalmente por estudos realizados pelos grandes players do mercado, geralmente gigantes da tecnologia, que postularam os primeiros resultados e desafios para atuação no trabalho remoto, além dos primeiros caminhos para o sucesso em longo prazo. 

A chegada do Sars-Cov-2 fez com esse processo fosse antecipado, como aconteceu no Brasil, onde os especialistas estimam que as empresas avançaram no modelo pelo menos 5 anos. Mas a antecipação aqui não se deu de forma planejada e com minimização de riscos, como se espera realizar em qualquer ação estratégica de amplo espectro, mas de forma emergencial, improvisada, cercada por incertezas e perdas financeiras. A pandemia também evidenciou, mesmo para o stakeholder mais iniciante, que um negócio pode ser constituído por máquinas refinadas, dotadas de grande inteligência ou valor comercial, mas as pessoas sempre serão a maior riqueza de qualquer empresa e de qualquer sociedade considerada moderna ou apta a realizar aspirações de colonizar novos planetas, visto que saber adaptar-se rapidamente aos cenários para resolver problemas é uma vantagem competitiva decisiva.

Paralelo a tudo isso, continuaremos vendo  o desenvolvimento tecnológico da inteligência artificial concedendo super-poderes às pessoas comuns em tarefas simples do dia-a-dia, como dirigir e trabalhar, mas exigindo dia após dia que as pessoas se tornem verdadeiramente humanas, importando-se realmente com o outro e as condições do ambiente que lhe cerca, sendo cada vez mais excelentes em habilidades que ‘ainda’ não podem ser executadas pelas máquinas inteligentes. Considerando-se que alguns sistemas IA já conseguem criar linguagens de programação incompreensíveis para os seres humanos e parte significativa das pessoas ainda precisam de um ‘fiscal’ para fazerem o básico diário ou a coisa certa, como agir com ética, não desrespeitar direitos de terceiros ou preservar a integridade de recursos naturais,  é preciso que as pessoas desenvolvam autocrítica e responsabilidade coletiva, para além de certificados destacando especializações e doutorados, esquecendo-se que a razão de ser de qualquer ciência é agregar valor a vida humana. 

A pandemia de 2020 trouxe excelentes oportunidades para nos percebermos íntima e coletivamente, indo desde a dificuldade percebida na maioria dos países em usar máscaras ou respeitar restrições impostas pelos governos, até tendências em tomar decisões de forma leviana, com pouco ou nenhum planejamento. No Brasil, por exemplo, um cálculo corajoso dos líderes teria demonstrado em longo prazo, que restringir a entrada de pessoas vindo do exterior, permitindo somente o transporte livre de cargas, teria evitado que a doença se espalhasse por todo o continente que compõe o território e anularia qualquer necessidade de lockdown ou isolamento por longo tempo posterior. O vírus simplesmente não teria chances e o Brasil seria um case! Uma decisão de bilhões de dólares, milhões de gritos e milhares de lágrimas.

Uma observação pragmática mínima do que acontecia na Ásia e Europa, aprendendo com acertos e erros dos demais países, poderia ter criado condições e argumentos para antecipação e realização de medidas para redução de danos e gestão de crises, em vez de apenas tentar apagar incêncios, numa luta quase impossível contra a natureza dos fatos, especialmente sem entendimento pleno da situação, descontrole sanitário e pouca colaboração dos cidadãos, que foram atingidos de forma cruel, mas tecnicamente evitável. 

Percebam que não trato de nuances políticas aqui, mas de cálculos e projeções entre as perdas financeiras com o fechamento de fronteiras, permitindo apenas o escoamento de cargas, se feito quando o vírus ainda estava na China e Europa em contraste com Os prejuízos financeiros que o país teria se não realizasse o Carnaval e tivesse o segmento do turismo e seus correlacionados estancados bruscamente. Era uma decisão difícil, mas técnica, como muitas das decisões que são tomadas no dia-a-dia das empresas. É difícil saber se este cálculo chegou a ser realizado, se em meio ao pânico com uma situação tão inusitada as autoridades teriam em ‘visão em longo prazo’, mas os resultados mostram que o impacto teria sido menor, inclusive porque o setor do turismo, por exemplo, poderia ser auxiliado por medidas do governo federal estimulando o turismo interno. Sem o vírus circulando no país e com as fronteiras fechadas, ainda que em menor volume, bares, shows, eventos, viagens, esportes, teriam continuado normalmente suas atividades, diminuindo consideravelmente a taxa de miséria e alto custo para manter a máquina administrativa funcionando com o ‘freio de mão puxado’ e as múltiplas crises que chegaram a todos de mãos dadas, como seguimos desde então.

Na reconstrução de uma ‘vida normal’ será fundamental não apenas a melhoria na formação acadêmica dos indivíduos e na prática de conceitos consagrados dentro das empresas, como a Gestão da Qualidade e o Learning Organization, mas também o amadurecimento de todos sobre sua responsabilidade dentro do conceito da coopetição, tão presente no mundo esportivo e dos games, mas que as empresas e seus stakeholders ainda praticam com alguma timidez ou sem extrair  a totalidade de recompensas possíveis. 

A competição foi fundamental para a evolução da humanidade e seus mecanismos desde a pré-história e, de certa forma, foi a competição que levou o homem ao Espaço e a desenvolver em tempo recorde uma vacina eficiente contra o Covid-19. Mas as necessidades e urgências trazidas pela pandemia evidenciaram que sem colaboração entre os cientistas das mais diversas agências e especialidades, tal feito não seria possível. Sem colaboração entre as empresas e profissionais dos mais diversos segmentos, inúmeros CNPJ’s a mais teriam sido extintos ainda na primeira onda da pandemia, dando a esta números ainda mais expressivos.

 Com o mercado global caminhando para a consolidação da coopetitividade, será essencial para todos o desenvolvimento da capacidade adaptativa, criativa e de interação dinâmica com novos cenários e tecnologias, além de maximizar o potencial individual e coletivo de relacionar-se de forma eficaz em meio às multiplas diferenças culturais coexistentes. Tantas exigências popularizarão ainda mais ‘novos conceitos’, como o de ginástica cerebral ou neurofitness, que em ascensão na última década, deu início a uma corrida ainda discreta, mas que se tornará mais perceptível nos próximos anos, elevando a competição interpessoal e empresarial a níveis nunca antes percebidos, através do desenvolvimento biológico do cérebro humano, da inteligência emocional e coopetitiva. 

Nesta altura, com as franquias de neuróbia fazendo parte das despesas básicas dos indivíduos, como as academias de ginástica e cursos de idiomas, teremos não apenas novas formas de construir valor para o mundo, mas uma nova forma de brindar o mundo, com uma humanidade mais inteligente, sustentável e verdadeiramente humana.

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