O mercado é um grande oceano, você está pronto para a pescaria?

Profissionais diferenciados e grandes empresas pelo mundo, como as gigantes da tecnologia, já perceberam que para ter sucesso no século XXI, especialmente em um cenário global pós-pandêmico, será preciso promover novas formas de enxergar forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, trocando os tradicionais modelos competitivos por outros, mais modernos, inovadores e baseados na coopetitividade.

Este Deus, o Mercado, descrito por alguns como um “Oceano Vermelho”  (altamente saturado e marcado por uma forte disputa de preços e padronização de produtos, que pouco diferem entre si, apesar das inúmeras marcas existentes) ou “Oceanos Azuis” (caracterizado pela inovação e novas formas de obter vantagem competitiva, seja pelo lançamento de soluções disruptivas para velhos problemas ou descoberta de novos problemas para vender soluções), está constantemente em mutação e em transição para uma nova fase, mais dinâmica e conectada com as necessidades e conhecimentos tecnológicos da sociedade vigente.

Essas mudanças nos modelos e teorias sobre negócios acontecem desde a primeira fase da Revolução Industrial, quando o trabalho manual e centralizado em um único indivíduo  cedeu espaço para o trabalho nas indústrias,  marcadas fortemente pela divisão de tarefas, o que tornou o trabalho em equipe a base do sucesso de qualquer empresa.

Agora que vivenciamos a 4º Fase da Revolução Industrial, com as máquinas configuradas com cases em inteligência artificial, levando a produção humana a caminhos antes imaginados somente em filmes de ficção, é necessário não apenas um novo jeito de fazer negócios, mas também de enxergar e gerenciar equipes, desenvolvendo excelência e praticando responsabilidade em múltiplos níveis.

Dentro do contexto estimado pelos especialistas para o pós-pandemia, que se mistura com os problemas não resolvidos de outrora, como as questões envolvendo as mudanças nas condições climáticas planetárias, em grande parte provocadas pelo egoísmo e imprudência humana na exploração dos recursos dentro das perspectivas do sistema capitalista, surgem novas necessidades para empresas (organismos vivos e determinantes para a transformação da sociedade), empresários (líderes responsáveis pela disrupção) e colaboradores (agentes proativos na consolidação das mudanças), que lidarão com leis e condições de mercado cada vez mais exigentes e orientadas por processos de produção limpa, necessitando agora encantar clientes e parceiros comerciais também por sua proatividade na pegada ecológica consciente, agindo mais pelo compliance que por questões  de branding em seus deveres como agente responsável pela  reconstrução do mundo  para as futuras gerações.

Enquanto antigamente um cliente insatisfeito falava mal de um produto ou empresa para cerca de outras 10 pessoas, será cada vez mais comum a tendência de boicote massivo às marcas que não evoluírem em seu mindset produtivo, obrigando que todos se reinventem para seguirem sustentáveis. 

É nesse contexto que grandes montadoras de carros pelo mundo estão encerrando sua produções de motores à combustão e focando em modelos elétricos, bem como todo um catálogo de soluções em  transportes alternativos têm surgido, como as bicicletas e patinetes elétricos, que estão se tornando cada vez mais comuns nas grandes cidades. Em médio prazo, promoverão não apenas o redesenho dos mapas e relações nos centros urbanos, mas criarão novos postos e formas de trabalhar.

Para alcançarmos a estabilidade nesse cenário caótico, marcado por mudanças forçadas e complexas, como ocorreu com a necessidade de adaptação emergencial das empresas para atuação em trabalho remoto durante a pandemia, é preciso que os indivíduos em todos os níveis organizacionais e sociais evoluam conjuntamente aos novos processos que executam. Essa evolução precisa ser contínua e originar-se da vontade individual em evoluir um pouco todos os dias, não de imposições hierárquicas ou situacionais, sob pena de comprometer a solidez em seus alicerces. 

Aqui vale destacar que a Citrix previa, ainda em 2012, mais de 80% das empresas com alguma célula operacional atuando em Workshifting (ou trabalho remoto) nos anos seguintes, mas os empreendedores e gerentes ainda experimentavam lentamente o modelo devido os custos e desafios exigidos para a adaptação com excelência.

A chegada do Sars-Cov-2 fez com esse processo fosse acelerado e até antecipado, inclusive no Brasil, onde os especialistas estimam que as empresas avançaram no tempo em pelo menos 5 anos. Contudo, essa antecipação não se deu de forma planejada e com minimização de riscos, como se espera de qualquer ação estratégica com amplo espectro, mas de forma improvisada, cercada por incertezas e perdas financeiras, como quase toda ação empresarial focada em ‘apagar incêndios’. 

A pandemia também evidenciou, mesmo para o stakeholder mais iniciante, que um negócio pode ser constituído por máquinas refinadas, dotadas de grande inteligência ou valor comercial, mas as pessoas sempre serão a maior riqueza de qualquer empresa e de qualquer sociedade considerada moderna ou apta a realizar aspirações coletivas, como colonizar novos planetas, visto que saber adaptar-se rapidamente aos cenários para resolver problemas é uma vantagem competitiva decisiva.

Paralelo a tudo isso, continuaremos vendo  o desenvolvimento tecnológico da inteligência artificial distribuindo super-poderes em tarefas simples do dia-a-dia, como dirigir e trabalhar, mas exigindo dia após dia que as pessoas se tornem verdadeiramente humanas, importando-se realmente com o outro e as condições do ambiente que lhe cerca, sendo cada vez mais habilidosas em tarefas que ‘ainda’ não podem ser executadas pelas máquinas inteligentes

Considerando-se que alguns sistemas inteligentes já conseguem criar suas próprias linguagens de programação, às vezes incompreensíveis para os seres humanos e, em contrapartida, parte significativa das pessoas ainda precisam de um ‘fiscal’  apontando-lhes o caminho para a realização das tarefas básicas diárias, como agir com ética, não desrespeitar direitos de terceiros ou preservar a integridade de recursos naturais,  é preciso que desenvolvamos autocrítica e responsabilidade coletiva para além dos certificados acadêmicos, lembrando que a razão de ser de qualquer ciência ou negócio precisa ser agregar valor a vida humana. 

A pandemia de 2020 trouxe excelentes oportunidades para nos percebermos íntima e coletivamente, indo desde a dificuldade percebida na maioria dos países em usar máscaras, respeitar restrições impostas pelos governos e até tendências em tomar decisões de forma leviana, com pouco ou nenhum planejamento. 

No Brasil, por exemplo, um cálculo corajoso dos líderes teria demonstrado em longo prazo, que restringir a entrada de pessoas vindo do exterior desde o início, ainda em fevereiro 2020, permitindo somente o transporte livre de cargas, teria evitado que a doença se espalhasse por todo o continente que compõe o território e anularia qualquer necessidade de lockdown ou isolamento posterior e em quase toda a população. 

O vírus simplesmente não teria chances e o Brasil seria um case! 

Uma decisão de bilhões de dólares, milhões de gritos e milhares de lágrimas… Mas quem teria coragem, com o país ainda sem casos confirmados e com a doença aparentando-se distante, de declarar que apesar de todo o dinheiro já investido, não haveria Carnaval? Não podemos dizer, vendo a reação das pessoas quando o lockdown foi imposto, que a reação seria aplaudida. Para algumas regiões, o Carnaval pode representar recursos para um longo prazo. Arriscamos, pagamos para ver e, infelizmente, perdemos na última rodada de apostas. Por sorte, podemos aprender com nossas próprias lições.

Na reconstrução de uma nova ‘vida normal’ pós-pandemia, será fundamental não apenas a viabilização de melhorias na formação técnica e acadêmica dos indivíduos,mas também a prática de conceitos avançados em gestão dentro das empresas, como os modelos pautados na  Gestão da Qualidade e no Learning Organization, promovendo o amadurecimento de todos sobre sua responsabilidade dentro das perspectivas do conceito da coopetição, tão presente no mundo esportivo e dos games, mas que as empresas e seus stakeholders ainda praticam com alguma timidez ou sem extrair  a totalidade de recompensas possíveis.

competição foi fundamental para a evolução da humanidade e seus mecanismos desde a pré-história e, de certa forma, foi a competição que levou o homem ao Espaço e a desenvolver em tempo recorde uma vacina eficiente contra o Covid-19. Mas as necessidades e urgências trazidas pela pandemia evidenciaram que sem colaboração entre os cientistas das mais diversas agências e especialidades, tal feito não seria possível. Sem colaboração entre as empresas e profissionais dos mais diversos segmentos, inúmeros CNPJ’s a mais teriam sido extintos ainda na primeira onda da pandemia, dando a esta números ainda mais impactantes.

 Com o mercado global tornando a consolidação da coopetitividade evidente mesmo para os pequenos negócios, será essencial que todos desenvolvam a capacidade adaptativa, criativa e de interação dinâmica com novos cenários e tecnologias, maximizando o potencial para gerar valor em meio às mutações do ambiente. 

As exigências popularizarão ‘novos conceitos’, como a ginástica cerebral ou neurofitness, que em ascensão na última década, deu início a uma corrida intelectual e cognitiva ainda discreta, mas que se tornará vantagem decisiva nos próximos anos, elevando a competição interpessoal e empresarial a níveis nunca antes percebidos, através do desenvolvimento do cérebro humano para a eficiência nas tarefas, desenvolvendo habilidades de forma lúdica, como a inteligência emocional e capacidade de atuação coopetitiva.

Nesta altura, com as franquias de neuróbia fazendo parte da rotina diária dos indivíduos, como as academias de ginástica e cursos de idiomas, teremos não apenas novas formas de construir valor para o mundo, mas uma nova forma de brindar o mundo, com uma humanidade mais inteligente, sustentável e verdadeiramente humana.